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22 de Novembro - Dia da Música!!!



“A música é o meio mais poderoso do que qualquer outro porque o ritmo e a harmonia têm sua sede na alma. Ela enriquece esta última, confere- lhe a graça e ilumina aquele que recebe uma verdadeira educação.”
Platão

Platão concebia a realidade e a expressava através de uma tradição mitológica, em que acreditava nas divindades como seres regentes do mundo e de tudo que se encontrava nele.
A arte em Platão se encontrava ligada as questões relacionadas à ética e a política. 
Vendo a instabilidade da vida política grega, o pensador percebeu a necessidade de se buscar uma melhor formação ética para a sociedade, a fim de impedir que desejos individuais não sobressaíssem nas decisões políticas vigentes.
Para os gregos, tanto a música como as outras artes pertenciam à “arte das musas”, que eram conhecidas como seres celestiais, divindades que inspiravam as artes e as ciências. Essa crença dominou fortemente a sociedade grega até a difusão dos escritos de Pitágoras, que foi o primeiro pensador ocidental a sistematizar os sons naturais, a 
música.
Ele percebeu a existência de uma seqüência matemático-sonora na batida dos diferentes martelos do ferreiro, em que cada um tinha um peso específico. Dessa observação pôde construir um sistema musical que se baseava numa escala de quatro sons – o tetracorde. 
Percebeu também que da união de dois tetracordes formavam-se escalas de oito notas, que vieram a ser denominadas como: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si e dó, com uma oitava acima, chegando assim à melodia ou sistema moda.

Pitágoras, de certa forma, traz a razão para a arte musical objetivando-a, influenciando fortemente Platão. Já outro pensador, que também o influencia decisivamente, é Sócrates. Antes de conhecê-lo, conforme é relatado, Platão era apenas um poeta, só depois se tornou um filósofo. Sócrates, no que diz respeito à música foi entusiasmado por Dâmon, o Areopagita, considerado o primeiro pensador que introduz metodologicamente a música na educação grega. Além deste pensador ter causado uma enorme influência em Sócrates, também influenciou Platão.Tendo contato com o pensamento de Pitágoras, de Dâmon e de Sócrates, Platão inicia uma reflexão racional para argumentar quais formas musicais deveriam ser valorizadas na formação ideal do cidadão para a vida, buscando de certa forma, fugir da tradição mitológica grega, que ainda insistia em acreditar exclusivamente que os feitos artísticos eram realizados somente por uma inspiração divina, negando assim o caráter racional da arte.O filósofo também procurou sistematizar a razão em conformidade com as emoções, harmonizando o inteligível com o sensível, fato notado nos seus 26 diálogos, todos tratando temas filosóficos de caráter racional-emotivo.Ele afirmava a existência de dois mundos distintos: o mundo das idéias e o mundo das aparências. Fazia parte do mundo das idéias a alma e a mente, já do mundo das aparências, o corpo e a sombra, fato visto em sua conhecida alegoria da caverna, que se encontra no VI livro da República.Pensava que essa divisão serviria também como uma orientação para sistematizar e se entender os desejos e as ações humanas e suas conseqüências, tanto para o individuo quanto para a sociedade.Não percebemos, em muitas ocasiões, que um homem. Levado pela violência de seus desejos a agir contra a razão que calcula, prejudica-se e se levanta contra o que tem em si mesmo, de que sofre a violência; e que, como se tratasse da luta entre dois partidos, a razão encontra um aliado no ardor do sentimento que anima esse homem?
Buscou problematizar até quando essa relação poderia ser harmônica ou quando poderia deixar de ser. Para ele, é buscando uma harmonização entre estes dois mundos que os cidadãos gregos poderiam chegar a viver uma vida melhor. Na alma do homem há como que uma parte melhor, outra pior; quando a melhor por natureza domina a pior, chama-se a isso ser senhor de si –o que é um elogio, sem dúvida; porém, quando devido a uma má educação ou companhia, a parte melhor, sendo menor, é dominada pela superabundância da pior, a tal expressão censura o fato como coisa vergonhosa, e chama ao homem que se encontra nessa situação escravo de si mesmo e libertino.